instalações
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tributo
à vida
Sinto que qdo uma árvore cai,
o mundo suspira.
A luz se entristece, o céu grita, o vento perde o prumo e a terra, em silêncio, aprende a sentir saudade.
Aqui tudo é mais intenso e forte porque os sentimentos se misturam com a natureza. enqto isso vou aprendendo a conversar e falar na lingua delas mesmo que seja por um manifesto ou gesto de puro afeto!
Quando passo pelas quatro estações tomada por suas transformacoes constantes entre o céu e a terra, elas produzem dentro de mim seus efeitos em me perceber e poder contemplar a diversidade dos sentimentos entre os perfumes e sons da mata.
Mas segundo o artista ambientalista, Gustavo
Vicente, fica uma pergunta no ar:
“E se todas as árvores tivessem o nome dos nossos antepassados?
E se, ao abatê-las, nos esquecêssemos de onde viemos?
Que memória deixaríamos aos nossos filhos?”
O tempo já não tem paciência, e a memória, cansada, vai se desfazendo como poeira ao vento mas contudo ainda assim seguiremos de mãos dadas, natureza e arte!
lais doria
março 2026
o rio
levou
Abril de 2025 deslocou o rio.
A água atravessou a paisagem e carregou o que era chão, memória e tempo.
Das margens arrancadas surgiram essas milenares aroeiras, da época dos meus avós, resgatadas do fluxo e transformadas pelo acontecimento inédito por aqui, seus troncos curvam-se em um corpo ambíguo, meio cobra, meio homem como se a própria natureza tivesse esculpido um ser entre mito e sobrevivência.
A obra nasce do encontro entre forças: a inundação que moveu o mundo e a queimada que, depois, tingiu o céu de cinza, quando parecia que ele havia esquecido o azul.
Aqui, a madeira permanece como vestígio e presença: um corpo da paisagem que lembra que a terra, mesmo ferida, continua a se reinventar.
lais doria
2026


casa das
encantadas
Na Casa das encantadas,
habitam forças que protegem
e equilibram a vida.
Presenças da terra, do vento, da água e do invisível cuidam deste espaço com delicadeza e força.
Aqui se guarda o rio, os animais, as cobras e as pessoas, um lugar de proteção, respeito e conexão com o que não se vê, mas se sente.
lais doria
2026
parangolés
em caracol
Perto de Caracol, em um campo próximo, numa fazenda de ancestrais, uma roda espiral emerge da terra, da grama, como se estivesse ouvindo o tempo e decidindo recomeçar.
Os vestígios da inundação permanecem, memórias encharcadas, objetos sem função, mas nada foi descartado: o que sobrou reaprendeu a existir.
Madeiras feridas, machucadas, tecidos sobreviventes, cores reacesas ao sol — tudo retorna ao vento.
Os panos dançam como parangolés: o ar veste a obra, o movimento a mantém viva.
A roda une, abriga, protege, devolve ritmo.
Caracol é casa, é o poeta, é o território, é corpo lento que persiste sobre a terra.
Entre o verde e o céu aberto, as cores não competem com a paisagem porque elas celebram a continuidade da vida.
Aqui, natureza e gesto humano não se opõem. Cicatriz e broto coexistem.
O que foi perda torna-se solo. O que foi resto torna-se semente. O que foi silêncio volta a respirar, nada se perdeu, só a história que seguiu.
lais doria
março 2026





