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parangos
em caracol
Perto de Caracol,
em um campo próximo
numa fazenda de ancestrais,
uma roda espiral emerge da terra,
da grama ,como se estivesse ouvindo o tempo
e decidindo recomeçar.
Os vestígios da inundação permanecem,
memórias encharcadas, objetos sem função,
mas nada foi descartado:
o que sobrou reaprendeu a existir.
Madeiras feridas, machucadas,
tecidos sobreviventes,
cores reacesas ao sol —
tudo retorna ao vento.
Os panos dançam como parangolés:
o ar veste a obra,
o movimento a mantém viva.
A roda une, abriga, protege, devolve ritmo.
Caracol é casa,
é o poeta, é o território, é corpo lento
que persiste sobre a terra.
Entre o verde e o céu aberto,
as cores não competem
com a paisagem porque elas
celebram a continuidade da vida.
Aqui, natureza e gesto humano não se opõem.
Cicatriz e broto coexistem.
O que foi perda torna-se solo.
O que foi resto torna-se semente.
O que foi silêncio volta a respirar,
nada se perdeu, só a história que seguiu
lais doria - marco 2026
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